08/12/08

A escravatura foi abolida oficialmente mas continua a fazer parte da vida contemporânea. Escrevia-se hoje no Público a propósito do relatório da Unesco.

E lembrei-me dum excelente livro que me marcou “Um Ano no Tráfico de Mulheres”, (pp 436-437) de um jornalista 100% (de pseudónimo António Salas), onde se lê:


(…) “A imensa maioria das estrangeiras que exercem a prostituição são imigrantes ilegais que vêm traficadas por máfias. Portanto, a imensa maioria do dinheiro que a prostituição movimenta na Europa, desde a cubalibre que se bebe num bordel de beira de estrada até ao preço de um francês e de um completo negociado com a meretriz reverte em benefício das máfias do tráfico de seres humanos.”

E já agora isto também:

(…) “Se os proxenetas, putanheiros, chulos ou “responsáveis empresários” que defendem a prostituição como um trabalho digno, forem consequentes com aquilo que apregoam, deveriam dar o exemplo colocando a trabalhar nos seus bordéis as suas respectivas mães e filhas. Tudo o resto é merda e não passa de um execrável palavreado barato.”


Está tudo dito, ou falta alguma coisa?


24 comentários:

Vieira Calado disse...

Tudo o que em tempos houve, continua a haver.
Só que... aparece disfarçado...

Cumprimentos

DANTE disse...

Falta dizer que os ditos proxenetas, putanheiros, chulos ou “responsáveis empresários” ou a puta que os pariu deviam mas era de pôr o corpo á disposição também , já que dizem ser um negócio tão legitimo como qualquer outro!
Filhos de uma grande P&%@

jokas escarlate :) e perdoa lá a linguagem ...

Teté disse...

De palavreado barato está o mundo cheio!

A escravatura existe ainda hoje sim, tanto na Europa como nos EUA, se bem que mais notoriamente nos países asiáticos (Índia, China, etc.) e africanos. Os que fogem dos seus países e dessa praga são por vezes escravos no dito 1º mundo...

Não li esse livro, nem conheço esse jornalista/escritor.

Mas li os últimos posts que escreveram aqui e gostei!

PreDatado disse...

Subscrevo a 100% o 2º parágrafo transcrito.

António Sabão disse...

Dá para pensar antes de comentar!
Acho que está tudo dito, na minha opinião!
Beijitoon escarlate! :)

escarlate.due disse...

Vieira, tenho 1 opinião um pouco diferente: os problemas podem ser os mesmos mas... é suposto estarmos mais aptos a encontrar boas soluções (ou será que nãoa prendemos nada??)
cumprimentos

Dante, estás perdoado só porque tens razão
jokas

Teté, pois é mas tem-se muito em mente que só nesses países há escravidão
Aconselho vivamente a leitura (mas leia 1º o "Diário de um skin")

PreDatado, também eu!

António, dá para pensar antes, depois e durante mesmo que esteja tudo dito
beijitoons

Vanda Paz disse...

Não vale a pena dizer mais nada

beijinho

francis disse...

Também li esse livro, brutal o relato.

escarlate.due disse...

Também acho Vanda.
beijinhos

Francis, também leste o anterior, "Diário de um Skin"?

Rei da Lã disse...

O essencial está dito!

;)

escarlate.due disse...

Também me parece Rei da Lã. Faltam é as acções

Rafeiro Perfumado disse...

E se o bordel não for à beira da estrada mas uns metros para dentro, também conta?

escarlate.due disse...

Esse é o que costuma frequentar, sr Rafeiro?

Nilson Barcelli disse...

Disseste tudo e nem é preciso acrescentar mais nada...
Forte, incisiva e realista, como convém, já que nestes casos não chamar os bois pelos nomes é insipiente.
Beijinhos.

shark disse...

Eu já disse e escrevi o bastante acerca do assunto para ser insuspeito na questão meramente académica que coloco:
se a prostituição é uma actividade humana com milénios de existência temos que concluir que existe procura. Num cenário de um mundo livre da prostituição qual seria o comportamento dos "utentes" habituais?
Por outro lado, a generalização é perigosa e as prostitutas que conheci (como pessoas e não na dimensão profissional) e nada têm a ver com o fenómeno do tráfico nunca me revelaram sentir como indigno o seu ofício (por estranho que isso possa parecer a quem está de fora...).
Isto foi só para destoar um nadinha do consenso deste debate e para suscitar a tal questão.
Espero não ter sido inconveniente de alguma forma.

escarlate.due disse...

Nilson, nem fui eu quem o disse mas António Salas
beijinhos

escarlate.due disse...

Shark,não vejo motivo para achar inconveniente qualquer opinião emitida com educação e discernimento. Não somos carneiros, pois não?!

Não convivi com prostitutas suficientes para negar com provas o que afirma. Contudo, já li algumas coisas sobre o assunto e já acedi a alguns trabalhos cientificos que me levam a crer que efectivamente existe 1 forte relação entre tráfico e prostituição.
Neste caso referi uma obra que li e cujo autor jornalista e investigador de profissão, por diversas razões merece o meu crédito.
Se tem dados concretos, se investigou o assunto... eu, por acaso, gostaria de saber mais, sendo que as questões sociais me interessam particularmente.

Obrigada pelo seu contributo

escarlate.due disse...

Já agora Shark... deixe-me acrescentar uma pergunta: incentiva a sua filha a seguir a prostituição como profissão?

Mariazita disse...

Vim passeando de blog em blog, parei aqui e vi um assunto que me chamou a atenção - o do último post, não este - sobre a problemática da avaliação.
Não quero pronunciar-me sobre esse assunto, que me toca de muito perto.
Descendo nos posts, cheguei a este - que é só 1 degrau abaxo :)
Este é um tema bastante polémico.
Não li o livro de António Salas (tenho-me esquecido de o comprar, o que tenciono fazer), mas li uma reportagem bastante grande acerca do livro, onde eram apresentados alguns trechos dele.
O relatório da Unesco não traz nada que não se saiba - que embora a escravatura tenha sido abolida há muitos anos, ela ainda continua a existir sob variadas formas.
Uma, é precisamente relacionada com o "Tráfico de mulheres"; mas há muitas outras formas de escravatura, nomeadamente o trabalho escravo, inclusivamente imposto a crianças - o que é revoltante, no mínimo.
Sobre este assunto publiquei no meu blog um post, em 1 de Maio, com o título "Dia do Trabalhador" onde conto o caso dos "Meninos de Açúcar".
Se quiseres ir até lá talvez gostes de ler, é um assunto que pouca gente conhece, porque tem sido abafado pelas autoridades.

Embalei na "conversa" e já se vai fazendo tarde.
Voltarei outro dia, pois gostei do que vi, mas vi muito pouco...

Uma noite feliz
Beijinhos
Mariazita

bjecas disse...

Sem querer desvalorizar essa tua (nossa) preocupação social, o que me faz sangrar mesmo é os que nada têm. Nada!

\m/

escarlate.due disse...

Mariazita, escreva à sua vontade que não paga imposto.
Obrigada pelo seu contributo e sem dúvida irei ler o seu post, até porque o assunto interessa-me.
beijinhos

Bjecas, há tanta coisa que me faz sangrar...
beijinho

shark disse...

Não, não incentivo a minha filha a seguir a prostituição. Mas também não a incentivo a seguir mecânica automóvel ou física nuclear...

shark disse...

Como isto das caixas de comentários acaba por ser um registo daquilo em que acreditamos aos olhos de quem nos lê, sinto-me obrigado a voltar à carga para deixar bem claro o teor da minha intervenção.
Isto para que a pergunta que me colocou não me cole ao tudo o resto que é merda e não passa de um execrável palavreado barato.
É que eu não comentei para questionar as inúmeras questões éticas associadas à prostituição - e não existe uma só percepção, apenas tentei corrigir a ideia de que o tráfico de mulheres constitua o mote para uma percentagem relevante da realidade da prostituição. Que não é, e posso citar Sakuraba (no seu trabalho acerca da prostituição juvenil nas universidades do Japão) e Simmons (que incide sobre o abuso sexual nas crianças e respectiva associação ao fenómeno no futuro das mesmas) para dar dois exemplos de origens de formas de prostituição que não tidas por indignas por quem ganha a vida dessa forma.
Aliás, a indignidade só existe na percepção dos de fora e dos que são forçados a exercerem tal ofício.
É o caso das mulheres traficadas. Mas essas são um exemplo e não permitem a generalização que "vista" as pessoas que optam voluntariamente por essa actividade e que conheci nas razões e no desapego com que enfrentam aquilo que entendem como uma forma mais digna (porque frontal) de sustento do que muitas bem mais "conceituadas".
Era isso e nada mais o que me moveu.
Perdoe-me a insistência e o lençol.

escarlate.due disse...

Não há nada a perdoar, Shark, sou pelo diálogo porque só assim se aprende. Não pretendi de forma alguma ofendê-lo com a minha pergunta. Antes pelo contrário, repito: tenho especial interesse por questões sociais, nomeadamente esta.

Não conheço muito bem o 1º mas conheço o estudo de Simmons. Trata-se contudo de sector de estudo daquele que foquei.
De qualquer forma não discordei e nem discordo da sua observação. Não afirmei que toda a prostituição advém de tráfico de mulheres, apenas referi que existe uma relação entre prostituição e tráfico e direi mesmo escravatura, apoiando-me em trabalhos e obras que li sobre o assunto, sendo aquela uma das citadas.

Gostaria de continuar a discutir este assunto consigo, que notóriamente, possui informação que me seria útil para formular opiniões mais concisas, mas reconheço que os blogs são limitativos no debate de problemáticas e corremos ainda o risco de não conseguirmos expressar-nos clara e convenientemente por forma a não gerar conflitos.

Mais uma vez obrigada pelo seu contributo.