Aproximou-se pé ante pé, de mansinho, silencioso. Como quem não quer a coisa, afável, amável. Doces palavras, ternos gestos, meigos olhares. Cada vez mais próximo, circundante, envolvente.
Quando, do cimo da sua arrogante soberba, se convenceu que era invencível, avançou de olhar latejante, transbordante de ódio, ávido de sangue. Mas foi seu, o sangue derramado pela atroz ferroada de quem sabe que vale a pena esperar o momento certo para falar.
Assim pereceu o ignóbil monstro das profundezas. Há quem diga que deixou descendentes…
Há no mundo uma profissão que admiro. Não pela profissão em si mesma, que nem me inspira confiança e nem me atrai. Mas por uma outra razão obscura, que se mantém lá por trás do visível.
É sempre desempenhada em grupo, sem esquecer nunca o cada um por si. Obriga a partilhar, a dar, a receber. Obriga a sobreviver. É condição essencial resistir. Podem chorar, barafustar, refilar mas não podem sucumbir. Não lhes é permitido desistir, principalmente de si mesmos. Acima de tudo, é-lhes vedado deixarem ou deixarem-se para trás.
Quando as forças se vão, o ânimo os abandona, a saudade os invade, o corpo lhes dói e as lágrimas tendem a escorrer… curvam-se sobre o próprio vulto e aguardam que o outro os levante ou arraste, porque nenhum pode chegar à meta isolado.
Acreditam firmemente que o braço esquerdo é o companheiro ao lado, o direito o companheiro da frente, as pernas os de trás e a cabeça é formada pela união de seus cérebros, os únicos que cada um por si, todos juntos, os manterão imbatíveis.
Não gosto especialmente da profissão, mas admiro-lhes a união.
a tua força não está em ti está neles, a deles é que está em ti
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